Como retratam o cinema e a televisão os cientistas?

09.04.2015

Como retratam o cinema e a televisão os cientistas?

Neste artigo, fazemos uma retrospectiva de alguns dos estereótipos mais comuns do cientista, uma profissão que no cinema e televisão é marcada por personagens dicotómicas: entre o "cientista vilão" e o "cientista herói" há pouco espaço para meios-termos.

 

Nos anos 80, diversos estudos concluíram que o cinema e a televisão transmitiam uma imagem estereotipada e demasiado negativa dos cientistas, em comparação com outras profissões.

De facto, durante décadas alguns dos cientistas mais marcantes que surgiram no ecrã eram génios loucos, vilões disfuncionais, personagens com um grande ego e o complexo de Deus.

Para citar alguns exemplos, tudo remonta ao Dr. Frankenstein de Mary Shelly, diversas vezes adaptado ao cinema, e continua em tempos mais modernos com personagens como o cientista Seth Brundle do filme ‘A Mosca’ (‘The Fly’) de Cronenberg.

No entanto, estudos mais recentes defendem uma nova teoria, segundo a qual o retrato actual que cinema e televisão fazem dos cientistas é predominantemente positivo, sendo frequentes os cientistas heróis, que salvam o dia e a humanidade.

Assim, embora seja inegável a existência de estereótipos nos cientistas ficcionais – de bata branca, cabelo despenteado, óculos, muito trabalhador, muito inteligente e socialmente inapto - é possível decompor estes estereótipos de acordo com diferentes retratos.

No estudo ‘Entertainment Media Portrayals and Their Effects on the Public Understanding of Science’, os autores Matthew C. Nisbet e Anthony Dudo apresentaram alguns dos estereótipos de cientistas mais frequentes no cinema e televisão:

 

Cientistas como o Dr. Frankenstein

Nesta imagem, que é uma das mais comuns, os cientistas são retratados como sinistros, maléficos, violentos e socialmente irresponsáveis. Exemplos deste estereótipo são Gregory Peck como Dr. Mengele em ‘Os Comandos da Morte’ (‘The Boys from Brazil’), Marlon Brando como Dr. Moreau em ‘A Ilha do Dr. Moreau’ (‘The Island of Dr. Moreau’) e Jeff Goldblum como Seth Brundle em ‘A Mosca’ (‘The Fly’).



Cientistas como peões manipuláveis

Os cientistas surgem como pessoas facilmente manipuláveis e domináveis, que fazem o “trabalho sujo” de grandes empresas, agências militares ou figuras malignas e poderosas. Robert Duvall como Dr. Griffin Weir no filme de ficção científica ‘O 6.º Dia’ (‘The 6th Day’) e vários dos cientistas do filme ‘Parque Jurássico’ (‘Jurassic Park’) encaixam neste estereótipo.



Cientistas como excêntricos e ‘nerds’ anti-sociais

Inspirados na imagem de Einstein, estes cientistas vivem imersos no seu trabalho, vestem-se de forma estranha e têm um vida social quase inexistente, sendo socialmente inadequados. Um dos cientistas mais memoráveis do cinema, o Doc de ‘Regresso ao Futuro’ (‘Back to the Future’), insere-se nesta categoria. A personagem Temperance Brennen, na série de TV ‘Ossos’ (‘Bones’) é outro exemplo deste estereótipo: inteligente, obcecada e fria. Também Sheldon Cooper da 'Teoria de Big Bang' pertence a este 'clube': é extremamente inteligente, mas socialmente inapto e profundamente narcisista.

 

Cientistas como heróis

O cientista é retratado como alguém heróico, detentor de elevadas capacidades intelectuais e físicas, possuidor de bom senso e de uma ética exemplar. Frequentemente, o cientista é alguém que prevê o desastre e avisa a humanidade, que não quer acreditar nele. Exemplos desta categoria são o Dr. Alan Grant em ‘Parque Jurássico’ (‘Jurassic Park’), a radioastrónoma interpretado por Jodie Foster em ‘Contacto’ (‘Contact’) e o climatologista encarnado por Dennis Quaid em ‘O Dia depois de Amanhã’ (‘The Day After Tomorrow’).

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